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NA ERA DA TV DIGITAL: O sinal analógico da TV aberta começa a ser desligado no Estado em 2016 – Saiba como proceder

Em maio de 2016, começa a ser desligado o sinal analógico de TV aberta no Estado de São Paulo, primeiramente em 35 municípios, incluindo a Capital (veja cronograma na página 26). O processo inicia em todo o País com um projeto-piloto na cidade de Rio Verde (GO), agora em novembro, e a previsão é que esteja concluído até novembro de 2018. O objetivo é liberar espectro para a banda larga 4G. Mas o cronograma só será cumprido se uma pesquisa mostrar que 93% das residências estão aptas a receber o sinal digital. Para a capital paulista, por ser a cidade de maior densidade populacional, há uma meta firme do governo de desligamento em 2016, afirma o professor do Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas – Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Marcelo Zuffo.

Nos condomínios, as medidas de adequação dependem da infraestrutura instalada e podem exigir desde a troca ou instalação de antenas coletivas até a substituição de cabos e tomadas, tornando-se necessária uma avaliação técnica. As antenas internas, que podem permitir a captação do sinal digital, principalmente quando a torre de transmissão estiver próxima, dificilmente vão garantir uma boa recepção em cidades como São Paulo, com muitos prédios, avalia o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude. “A instalação de uma antena coletiva pode resolver muitos problemas de recepção, além de oferecer quase três dezenas de canais gratuitos”, afirma Zuffo, acrescentando que as antenas internas talvez não sejam suficientes, principalmente em andares mais baixos, que podem ficar em uma região de sombra sem conseguir captar o sinal.

A TV digital oferecerá os canais VHS (2 a 13) e UHF (acima de 14). Essa disponibilidade, entretanto, depende da opção que o condomínio fizer. Alternativas mais baratas, como a conversão na antena do sinal digital UHF para VHS, evitando a troca de cabos e tomadas, limita a recepção a poucos canais e não oferece alta definição, um dos recursos da TV digital. Se for apenas colocado o conversor na antena sem atualizar a estrutura de distribuição, o condômino que tem uma TV com conversor digital integrado não conseguirá assistir a programação aberta, já que por esse tipo de conversão o sinal é enviado por canais especiais, que a TV não consegue ler, esclarece o sócio-diretor da Antenas Paraíso, Geraldo Bueno. Além disso, por esse meio são convertidos apenas alguns canais.

Investimento

Para garantir as opções de canais e a qualidade que o sistema digital possibilita, será preciso instalar um kit com a antena UHF digital, o misturador (para filtrar a frequência e minimizar interferências) e o amplificador. Bueno destaca que um misturador que possa abranger só a frequência nas quais vão trabalhar as emissoras será de suma importância, para evitar interferência do sistema 4G. O valor desse kit para um prédio com até 60 apartamentos é de R$ 2,4 mil, informa.

O desembolso pode ser ainda maior, se o sistema de distribuição do sinal para as unidades não estiver adequado, o que pode ocorrer com os prédios mais antigos, que não fizeram qualquer alteração e não utilizam cabos celulares e tomadas blindadas, necessários para a recepção de um número maior de canais. Nos edifícios mais antigos, essa distribuição é feita das antenas diretamente para dentro das unidades, em sistemas de prumada por final.

Nos mais novos, vai até o hall dos andares, onde são deixados conectores para cada apartamento. O maior problema enfrentado hoje, diz Bueno, é que muitos moradores com sistema de prumadas tiraram os cabos e até fecharam as saídas da antena, pois utilizam apenas a TV por assinatura, que passa pelas tubulações das linhas telefônicas. Assim, o condômino obstrui o sinal das unidades que estão abaixo dele. Mas isso nem sempre é percebido, pois muitas vezes as unidades inferiores também usam só os serviços de assinatura.

Nos edifícios que já contam com uma antena UHF bem instalada, para recepção de canais acima do 14, o sinal digital entra automaticamente sem a necessidade de qualquer mudança, informa Bueno.

A instalação da antena coletiva pelos condomínios não é obrigatória, segundo o advogado Cassio de Assis Barreto, sócio responsável pela área imobiliária da Advocacia Cunha Ferraz. “O que deve ocorrer, na prática, é a convocação de uma assembleia para deliberar sobre o assunto e, do ponto de vista técnico-jurídico, é necessária aprovação de 50 mais 1”, informa o advogado, que recomenda a apresentação de três orçamentos para avaliação da assembleia.

Uma vez escolhida a prestadora do serviço, tudo que for feito deve estar estabelecido em contrato, bem como os aparelhos adquiridos e os prazos de garantia. Na Antenas Paraíso, a garantia é de um ano. “Tem de ter garantia de recepção do sinal e é preciso testar se está chegando em cada um dos pontos necessários”, afirma Zuffo.

Em casa

Para receber a TV digital aberta, o condômino precisará ter a estrutura de cabos e tomadas adequadas e o conversor digital. Nos modelos mais novos de televisores, produzidos depois de 2010, esse recurso já está integrado. Para os televisores de tubo e muitos de LCD, Plasma e LED fabricados anteriormente a essa data, será necessário um conversor externo. São vários os modelos oferecidos no mercado e, nos últimos quatro anos, os preços caíram expressivamente, de cerca de R$ 800 para aproximadamente R$ 150, informa o sócio-diretor da Antenas Paraíso, Geraldo Bueno. O professor da Escola Politécnica da USP, Marcelo Zuffo recomenda a compra de produtos certificados com o selo DTV, “que já passaram por testes do sistema brasileiro de TV digital”.

Dependendo de qual será a solução do condomínio para a recepção de TV digital, o morador terá de pagar para levar o sinal para dentro da unidade, uma vez que o serviço pode ser contratado para levar o sinal só até o hall dos andares, no caso dos prédios mais novos. Nesses casos, o morador terá de desembolsar algo em torno de R$ 100, esclarece Bueno.

KARAM, Rita. Na era da TV digital: O sinal analógico da TV aberta começa a ser desligado no Estado em 2016. Saiba como proceder. Revista SECOVI Condomínios, São Paulo, Nov.15, p.22-26. Disponível em: <http://www.secovi.com.br/>.

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